quinta-feira, 7 de julho de 2011

Encontrando Deus nas redes sociais

Fãs de mídia social ficaram entusiasmados com o novo relatório do Instituto Pew sobre o uso da internet, chamado Sites de redes sociais e nossa vida. A descoberta mais interessante é que,  ao contrário do que se pensa, a participação ativa em redes sociais não resulta em isolamento social ou falta de intimidade relacional. Além disso, a participação em sites de redes sociais (SRS) tende a enriquecer em vez de diminuir o envolvimento nas interações pessoais.
As principais conclusões do relatório baseiam-se no Facebook, o site mais expressivo, onde cerca de 92% dos usuários de redes sociais têm um perfil. Entre uma longa lista de virtudes, os pesquisadores da Pew descobriram que:
* Usuários do Facebook confiam mais nos outros que os não-usuários de SRS.
* Usuários do Facebook têm relações mais próximas com os outros que os não-usuários de SRS.
* Usuários do Facebook têm mais apoio de seu grupo social que os não-usuários de SRS.
*Usuários do Facebook retomam com mais frequência suas relações “adormecidas” (ou que julgavam perdidas) que os não-usuários de SRS.
Após alguns anos sendo ridicularizado, não deve ser surpresa que meus contatos no Facebook e amigos do Twitter adicionaram à lista de qualidades louváveis ​​dos aficionados em redes sociais:
* Nós usamos fio dental após cada refeição!
* Nós libertamos o Egito!
* Estamos firmes, bem integrados, não somos orgulhosos e continuamos plenamente realizados no brilho fabuloso de nossa autenticidade. Puxa, como somos legais!
* Somos os tuiteiros escolhidos por Deus!

Encontrando Deus no Facebook
Falando em Deus, há boas notícias para as religiões no relatório do Pew. Fica claro que a grande maioria dos religiosos de cada faixa etária, sexo e nível educacional pode ser encontrada em redes como Facebook (92%), MySpace (28%), LinkedIn (18%), e Twitter (13%).
O nível de participação varia, dependendo de suas características demográficas. Quer encontrar homens brancos, entre os 30 e 45 anos de idade, com formação superior? Eles estão no LinkedIn. Mulheres afro-americanas? Tente o MySpace. Hispânicos? Visite o Twitter. Claro, todos também estão no Facebook. E aquela comunidade que você criou para sua igreja no Ning? Só chama a atenção de alguns dos seus amigos.
Os pesquisadores também estudaram a relação entre internet, SRS e participação em grupos de voluntários: grupos comunitários, ligas esportivas, grupos de jovens, clubes sociais e grupos religiosos. A participação global em grupos de voluntariado aumentou cerca de 10%, passando de 65% em 2008 para 74% em 2010. A participação em grupos religiosos aumentou 12%, passando de 42% em 2008 para 54% em 2010.
Há muitas razões para isso, não apenas a economia mundial em crise e sua demanda por oração sem cessar e as sopas ocasionalmente servidas aos necessitados. Os pesquisadores do Pew encontraram uma relação entre os usuários de SRS e a participação em grupos voluntários. Não podemos afirmar  que alguém que usa o Facebook tem mais chances de ir à igreja, sinagoga, mesquita ou templo que alguém que não os utiliza. No entanto, os dados mostram que, entre as pessoas ativas em seus grupos religiosos, a participação em redes sociais tem crescido tremendamente, de 36% em 2008 para 52% em 2010. Esta é a maior taxa de utilização de SRS e do maior aumento (16%) entre todos os  grupos de voluntários participantes.
No encontro de Deus e o próximo
Embora a participação em redes sociais não gere necessariamente a participação em grupos religiosos, o engajamento social digital reflete o engajamento religioso local. O local de intercessão desses dois caminhos parece ser um local particularmente fecundo para o relacionamento sócio-espiritual. As redes sociais, como ficou evidente em outro relatório da Pew lançado no início do ano, são locais importantes para incentivar e apoiar a participação em grupos locais. Isso inclui igrejas e outros grupos religiosos, nos quais os usuários de internet e de smartphones têm 15% a mais de chances de serem membros ativos que os não-usuários. De fotos de um trabalho missionário a tuítes avisando que você está indo ou voltando da igreja, de pedidos de oração por amigos doentes a comentários sobre um sermão, as redes sociais refletem a experiência social e espiritual contemporânea.
Dados do Pew e de outros centros de pesquisa estão apenas começando a trazer à tona os efeitos do que denominei de Reforma Digital- uma revitalização da religião, muitas vezes impulsionada pela espiritualidades de crentes comuns, que envolve a participação, a criatividade e o encorajamento necessário pelo amplo uso de novas mídias digitais em todos os aspectos da vida diária, incluindo a fé.
Sem dúvida, precisamos de mais estudos sobre as redes sociais e o uso de computação móvel entre os grupos religiosos e denominacionais. Enquanto isso, líderes religiosos interessados ​​em criar e manter uma prática religiosa forte nas pessoas deveriam olhar mais de perto a maneira como entendemos agora  o potencial para lidar com essa ampla rede de relacionamentos. E também como as novas mídias podem ser usadas pelas comunidades religiosas. É inegável que, aos poucos, os bilhões de religiosos do planeta estão explorando o mundo virtual e melhorando as relações com seus vizinhos, amigos e membros de comunidades locais e globais. Com isso também expandirão a sua fé. Ainda não sabemos todo o potencial em termos de adoração, testemunho e serviço entre os grupos religiosos, caso seus  líderes tornem-se mais ativos e atentos a essa Reforma Digital. Ou, como disse E.M. Forster: “Basta nos conectarmos! Chega de viver em fragmentos”.

Fonte: Elizabeth Drescher em Religion Dispatches. Tradução: Agência Pavanews.